SIG Revista de Psicanálise
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<p>A SIG Revista de Psicanálise é a publicação científica da Sigmund Freud Associação Psicanalítica, editada regularmente desde 2012. Nos formatos impresso e online, em duas edições anuais, publica artigos teórico e teórico-clínicos, ensaios, resenhas, traduções de artigos de autores estrangeiros e entrevistas no campo psicanalítico. Publica, ainda, textos voltados à interlocução entre a psicanálise e outros campos do saber, como filosofia, literatura, história e outras áreas ligadas ao estudo crítico da sociedade e da cultura. As propostas de publicação devem ser originais e inéditas no Brasil e serão recebidas em fluxo contínuo.</p>Sigmund Freud Associação Psicanalíticapt-BRSIG Revista de Psicanálise2316-6010Formas atuais do incêndio
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<p>Passando por situações clínicas, trechos literários e fenômenos sociais, a autora tem como fio condutor “a loucura do Eu tomado pelas paixões”. Quais são as formas atuais desse fenômeno? E como analisá-las? Em seu percurso, contribui para aquilo que Freud considerava um dos pontos mais difíceis da clínica: o manejo da transferência em situações passionais.</p>Luiz Moreno Guimarães Reino
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2026-07-272026-07-27152e2907e290710.59927/sig.v15i2.231Perversão social e paixão pela instrumentalidade
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<p>Esta resenha examina criticamente a obra <em>O grupo e o mal: estudo sobre a perversão social</em>, de Contardo Calligaris, publicada originalmente como tese de doutorado e recentemente traduzida para o português, destacando a relevância teórica do conceito de perversão social para a compreensão dos vínculos entre sujeito, grupo e violência legitimada. Em diálogo com Sigmund Freud e Hannah Arendt, Calligaris sustenta que o mal não decorre de uma essência monstruosa, mas de uma estrutura subjetiva marcada pela “paixão pela instrumentalidade”, na qual o sujeito encontra satisfação psíquica ao se tornar instrumento de um ideal coletivo, frequentemente encarnado pelo Estado ou por um líder, ao mesmo tempo em que reduz o outro à condição de objeto. A resenha destaca a distinção entre perversão sexual e perversão social, enfatizando que esta última não se restringe a um desvio pulsional, mas corresponde a uma organização estrutural que implica a objetificação do outro e a submissão do sujeito a uma lógica instrumental. Nesse contexto, fenômenos de massa favorecem a suspensão parcial do recalque e reforçam processos identificatórios que fragilizam a responsabilidade subjetiva, possibilitando a legitimação de práticas violentas sob a justificativa de um suposto bem comum. Ao articular clínica, teoria psicanalítica e análise sociopolítica, Calligaris reafirma a tese freudiana de que a psicologia individual é, desde o início, também psicologia social. Conclui-se que o conceito de perversão social constitui uma ferramenta conceitual fundamental para a compreensão dos fenômenos contemporâneos de adesão subjetiva a ideais autoritários, evidenciando a atualidade e a potência crítica da psicanálise na análise do laço social.</p>Gabriel Crespo Soares EliasAmanda Pinho Nunes da Silva Pereira
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2026-07-272026-07-27152e2908e290810.59927/sig.v15i2.223E se a psicanálise não fosse binária?
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<p>O presente artigo propõe uma leitura crítica de certos modelos ontológicos e epistemológicos universalizados na tradição psicanalítica freudiana, especialmente daqueles organizados a partir de lógicas binárias como fálico/não fálico, eu/outro e humano/não humano. Argumenta-se que tais operadores, ao serem naturalizados, não atuam apenas no plano intrapsíquico, mas participam da produção e da atualização de paradigmas hierarquizantes articulados historicamente ao patriarcado, à colonialidade e ao capitalismo. Sustenta-se que esses regimes binários podem restringir a inteligibilidade clínica de experiências dissidentes de gênero, corpo, sexualidade e alteridade, reinscrevendo formas de sofrimento vinculadas ao trauma colonial. A partir de uma releitura crítica de determinados modelos presentes na obra freudiana — especialmente em Totem e tabu —, o artigo interroga os efeitos clínicos e epistemológicos da universalização da diferença sexual como paradigma organizador do humano. Em seguida, mobiliza o pensamento de Sándor Ferenczi, particularmente o conceito de utraquismo, não como simples contraponto à teoria freudiana, mas como deslocamento epistemológico capaz de abrir a psicanálise a formas não binárias de produção de conhecimento. Ao privilegiar mutualidades, oscilações, ritmos irregulares e zonas de indeterminação entre Eu e Outro, Ferenczi oferece pistas para uma clínica mais sensível às reverberações coloniais inscritas no psiquismo e mais capaz de acolher experiências subjetivas que escapam às categorias clássicas da diferença sexual.</p>Ligia Maria Durski
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2026-07-272026-07-27152e2906e290610.59927/sig.v15i2.212Trieb e Naturalismo em Freud e Nietzsche
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<p>Esta pesquisa teórico-conceitual explora as convergências e divergências entre as perspectivas naturalistas de Trieb presentes nos escritos freudianos de 1895, 1905 e 1915 e nas obras nietzschianas publicadas em 1872, 1882 e 1887. Para tanto, realiza-se uma análise detalhada do naturalismo darwinista, que norteou a formulação da terminologia na metapsicologia freudiana, bem como do naturalismo antidarwinista de Nietzsche, que fundamentou, de maneira precursora, o conjunto de impulsos inconscientes associados ao conceito de Trieb. Além disso, examinam-se as diferenças no modo como cada autor concebe o vínculo entre instinto, cultura e subjetividade. O debate entre Freud e Nietzsche propicia o esclarecimento das raízes científicas e filosóficas da expressão germânica, permitindo uma compreensão mais ampla das concepções de “ser humano” e “natureza” que permearam e moldaram o espírito da época, fomentando, de maneira decisiva, o surgimento da psicanálise como campo autônomo de saber.</p>Ísis Lopes Zisels
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2026-07-062026-07-0615210.59927/sig.v15i2.160O terror da escrita
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<p>Considerando a autossociobiografia como gênero discursivo singular, que emerge e adquire popularidade na contemporaneidade ao apresentar trajetórias de trânsfugas de classe, o presente artigo visa discutir a cisão do eu como constituinte da escrita dessas narrativas. Especificamente, será analisado um trecho que evoca elementos da cisão a partir da obra O lugar (1983), primeira narrativa em que Annie Ernaux concretiza seu projeto de escrita autossociobiográfica ao relatar a vida e a morte de seu pai. O trecho será correlacionado às noções de luto, trauma e cisão do eu. A cisão evocada por Ernaux retém parte do que não tem sentido e produz um efeito real. Concluímos indicando que a autossociobiografia presentifica o objeto perdido, situa uma parte da angústia e cria uma ligação narrativa que inscreve e situa um lugar para a morte.</p>Maria Eduarda Freitas Moraes
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2026-07-062026-07-06152e2904e290410.59927/sig.v15i2.158A voz da agonia
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<p>Na clínica psicanalítica, a escuta sensível ao mal-estar que escapa ao simbólico torna necessário acolher o não dito. Neste artigo, procura-se explorar a denominação frequente de <em>agonia</em>, por parte de analisandos, a fim de referir o que ameaça e dificulta a vida cotidiana. Para explorar o tema da agonia, toma-se, inicialmente, o texto freudiano de 1930, O mal-estar na <em>civilização</em>, no qual o autor propõe que a produção de sofrimento se dá por três direções: do próprio corpo, do mundo externo e das relações com outros seres humanos. A partir da ênfase nessa terceira fonte, entende-se <em>cultura</em> como algo que se constrói na relação com o outro, que influi de forma significativa na constituição da subjetividade. É inevitável, portanto, considerar a relação que inaugura todas as outras. A agonia, como tema explorado por diferentes autores ao longo do artigo, revela-se como um fio afetivo que denuncia uma falha básica, precoce, gerada na relação com o outro, um estado ligado a um desamparo extremo. A agonia, nomeada como um sentimento além da angústia, também pode expressar um colapso psíquico, uma vivência primitiva, algo que escapa à simbolização, uma experiência-limite do sujeito, uma ansiedade de aniquilamento. É a voz da agonia que assombra a contemporaneidade: ocorrências pretéritas que retornam, povoando a vida psíquica de intensidades para as quais ainda não se encontraram sentidos e que, por seguirem assombrando, geram dores aterrorizantes. Nessa direção, o artigo explora a proposição de ser no espaço analítico que se dá a possibilidade de que esse estado retorne como uma memória corporal e psíquica não simbolizada sobre algo vivido em tais condições. O trabalho sensível do analista na transferência dá condições para que os sentidos construídos abram, para o analisando, perspectivas de existência distintas do aprisionamento da agonia.</p>Roseli Dal Bem FistarolFlávia Bernardi
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2026-07-062026-07-06152e2905e290510.59927/sig.v15i2.176O terror, o estranho e o dionisíaco
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<p>O período moderno na filosofia compreende uma secção histórica que se localiza entre os séculos XVII e XX. Em seu período tardio, teve como uma de suas características o questionamento da racionalidade estrita como forma de conhecer e proporcionou o surgimento da estética como disciplina filosófica. Esse movimento ocorreu na Alemanha do século XIX e teve como mote inicial os autores do romantismo, dentre os quais se destaca Hoffmann. Tal movimento influenciou a filosofia do mesmo período e, a partir do resgate da tragédia grega enquanto poética, suscitou o trágico no âmbito da filosofia, do qual Nietzsche reconhece participar. No final do século XIX, Freud inaugura a psicanálise e propõe uma práxis clínica teorizada a partir de inúmeras referências à mitologia grega e ao romantismo alemão. O presente trabalho tem como objetivo investigar possíveis correlações entre atributos discutidos pelos três autores, o que sugere uma interlocução entre eles a partir desse contexto histórico, filosófico e estético. O terror, o estranho e o dionisíaco figuram como elementos de uma nova subjetividade, marcada pelo trágico e pela superação de um ideal clássico pautado pelo bom, belo, verdadeiro e consciente. A partir da análise das obras<em> Os elixires do diabo, O nascimento da tragédia</em> e <em>O estranho</em>, buscar-se-ão conexões e possíveis divergências entre os três autores.</p>Bruno Werneck
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2026-07-062026-07-06152e2902e290210.59927/sig.v15i2.198