SIG Revista de Psicanálise https://ojs.sig.org.br/index.php/sig <p>A SIG Revista de Psicanálise é a publicação científica da Sigmund Freud Associação Psicanalítica, editada regularmente desde 2012. Nos formatos impresso e online, em duas edições anuais, publica artigos teórico e teórico-clínicos, ensaios, resenhas, traduções de artigos de autores estrangeiros e entrevistas no campo psicanalítico. Publica, ainda, textos voltados à interlocução entre a psicanálise e outros campos do saber, como filosofia, literatura, história e outras áreas ligadas ao estudo crítico da sociedade e da cultura. As propostas de publicação devem ser originais e inéditas no Brasil e serão recebidas em fluxo contínuo.</p> Sigmund Freud Associação Psicanalítica pt-BR SIG Revista de Psicanálise 2316-6010 A psicanálise entre herança e subversão https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/211 <p>Esta resenha analisa o livro <em>Psicanálise emancipada: reatando com a subversão</em>, de Laurie Laufer, destacando sua defesa da subversão como princípio ético e metodológico da psicanálise. A autora propõe um retorno às forças críticas presentes na origem do método freudiano, especialmente à inversão de posições inaugurada nos <em>Estudos sobre a histeria</em>, quando a fala do paciente passa a produzir saber. A partir de textos freudianos sobre a sexualidade, Laufer questiona os efeitos normativos cristalizados na teoria e na clínica. A resenha sustenta que reatar com a subversão implica também reconhecer a dimensão política da escuta, incluindo as interpelações contemporâneas colocadas pelas experiências de sujeitos marginalizados, que convocam a psicanálise a rever seus pressupostos de neutralidade e universalidade.</p> Andréa Mongeló Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-07 2026-04-07 15 1 e2814 e2814 10.59927/sig.v15i1.211 “Do grito à palavra” https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/174 <p>A potência de um livro se traduz na qualidade do encontro com seus leitores. Do grito à palavra, livro publicado originalmente em 1995, marcou de forma indelével o acesso à obra de Sándor Ferenczi no Brasil, e sua nova edição é muito bem-vinda. Sua autora, Teresa Pinheiro, foi pioneira no estudo da obra de Ferenczi, e sua generosidade, competência e acuidade teórico-clínica, fios fundamentais que sustentam o espírito desta obra, seguem inspirando seus leitores a buscar a essência das ideias deste grande psicanalista. A estrutura do livro contempla aportes sobre as noções fundamentais na obra de Ferenczi, sua original teoria do trauma, considerações sobre a traumatogênese, bem como suas inovadoras contribuições à técnica psicanalítica. A leitura desta segunda edição permitirá aos antigos leitores e aos que irão realizar uma primeira leitura constatar a força e a atualidade da escrita de Teresa Pinheiro sobre um dos mais geniais psicanalistas, que segue inspirando rumos a uma psicanálise aberta à interrogação sobre a complexidade do humano.</p> Mônica Kother Macedo Morgana Ieda Vanelli Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2807 e2807 10.59927/sig.v15i1.174 A mulher negra como duplo outro https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/205 <p>Este artigo discute como a subjetividade da mulher negra é constituída por atravessamentos raciais e de gênero desde a infância, problematizando a insuficiência de uma psicanálise baseada em um sujeito universal branco. A partir de autoras como Gonzalez, Kilomba, hooks e Ribeiro, realiza-se uma análise teórico-bibliográfica que evidencia como discursos coloniais moldam a identificação, o desejo e as possibilidades de reconhecimento. Os resultados indicam que o racismo opera como estrutura repetitiva que afeta a formação do eu, produzindo silenciamentos, idealizações e dificuldades de acesso ao cuidado. Conclui-se que a clínica psicanalítica precisa reconhecer a racialidade como operador estrutural para sustentar uma escuta ética que favoreça a elaboração, o reposicionamento subjetivo e a construção de novas narrativas para mulheres negras.</p> Raquel Ferreira Vargas Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-07 2026-04-07 15 1 10.59927/sig.v15i1.205 Vidas apagadas pela ditadura civil-militar brasileira https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/170 <p>Durante a ditadura civil-militar brasileira, 434 pessoas foram mortas ou sofreram desaparecimento forçado, além dos inúmeros casos não confirmados, como o extermínio de indígenas e camponeses. O referido artigo se propõe, por meio da psicanálise, a elucidar o tempo do traumático e as possíveis formas de elaboração de um trauma individual e social através da escrita testemunhal. Assim, coletamos restos da história de uma desaparecida política, Ana Rosa Kucinski, a partir de arquivos e da obra literária de Bernardo Kucinski, <em>K: relato de uma busca</em>. Como conclusão, aponta-se para a escrita testemunhal como uma linguagem possível diante do traumático e, por consequência, uma via de transmissão através da potência da criação e do ficcional. Torna-se necessária uma longa caminhada para que haja a garantia da memória, da justiça e da efetivação dos processos de elaboração do luto pelas vítimas e familiares, e a escrita pode proporcionar a historicização e o testemunho do traumático.</p> Gabriela Weber Itaquy Edson Luiz André de Sousa Analice de Lima Palombini Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2806 e2806 10.59927/sig.v15i1.170 Luto impensável https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/115 <p>O artigo pretende apresentar um estudo teórico, a partir do método de pesquisa em psicanálise, que aborda não somente a teoria clínica, mas um pensamento clínico acerca da ideia de um luto impensável, manifestado através da falta de significância — mais ainda, de valor simbólico e representativo — referente às perdas, fazendo com que certos indivíduos sofram de grandes angústias, além de permanecerem na vida sem um sentido de existência própria. Isso ocorre por meio de uma falha na transmissão entre gerações, estabelecida muitas vezes pelo não dito, pelo segredo, como um funcionamento psíquico de defesa diante de percepções traumatizantes. Nesse sentido, a transmissão específica do mecanismo de defesa da recusa foi identificada como fator principal que justifica a condição de um luto impedido de ser realizado, tornando o pensamento impensável, em seu estado bruto, gerador de angústias inomináveis e de uma dificuldade em elaborar perdas. Este trabalho é o reflexo de um pensamento clínico, observado a partir da experiência prática da clínica.</p> Verônica Guimarães Rodrigues Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2802 e2802 10.59927/sig.v15i1.115 Editorial https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/233 <p>Neste número da SIG Revista de Psicanálise, a seção <em>Em Pauta</em> reúne trabalhos que tomam as racialidades como questão social, teórica, clínica e ética da psicanálise. Ao fazê-lo, os textos convocam o campo psicanalítico a interrogar seus próprios pressupostos, seus modos de escuta e suas formas históricas de institucionalização. Os artigos que compõem esta seção evidenciam como a diferença racial se inscreve nos circuitos pulsionais, nos processos identificatórios, nas dinâmicas transferenciais e nas práticas institucionais, incidindo de modo decisivo sobre o sofrimento, o desejo e as possibilidades de reconhecimento. Nesse percurso, emergem discussões sobre a branquitude, seus mecanismos de desmentida e pactuação, os efeitos do racismo na clínica, bem como a urgência de uma psicanálise capaz de se haver com os atravessamentos da história colonial brasileira e com a persistência de seus efeitos no presente.</p> Mariana Steiger Ungaretti Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-10 2026-04-10 15 1 10.59927/sig.v15i1.233 Psicanalistas no divã https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/215 <p>Este ensaio se propõe a refletir sobre a posição de neutralidade muitas vezes assumida por alguns psicanalistas diante de marcadores sociais de diferença e assuntos entendidos como “não psicanalíticos”. Considerando o apagamento desses temas em discussões clínicas e no posicionamento de alguns praticantes do ofício psicanalítico, a discussão será amparada em autores(as) como Pedro Ambra, Thamy Ayouch, Thaís Klein, Eduardo Leal Cunha, Mariana Pombo, entre outros, além de Nêgo Bispo, Frantz Fanon e Luiz Rufino, para tensionar o lugar do psicanalista diante dos efeitos que discursos hegemônicos podem causar em analisandos/as/es. Assumindo o caráter de uma psicanálise engajada, passível de se repensar e, portanto, transformadora, o presente ensaio irá propor possibilidades para que a escuta psicanalítica não seja indiferente ao mundo em que vivemos; ao contrário, colocando-se como uma ferramenta emancipatória e revolucionária.</p> Ísis Gonzalez Fossati Andrea Gabriela Ferrari Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-04 2026-04-04 15 1 e2810 e2810 10.59927/sig.v15i1.215 Pele negra, clínica branca? https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/210 <p>A psicanálise clássica, desenvolvida a partir de uma perspectiva eurocêntrica e branco-burguesa, apresenta um problema fundamental ao ignorar ou negar a raça como dimensão constitutiva do inconsciente, invisibilizando o sofrimento psíquico gerado pelo racismo estrutural e pela colonialidade. Este artigo tem como objetivo demonstrar a necessidade urgente de uma psicanálise racializada e situada, em oposição à prática desracializada, que reconheça a raça, a história e o contexto social como elementos fundamentais na formação do inconsciente e da subjetividade, especialmente no Brasil, onde o mito da democracia racial persiste. Para tanto, o estudo emprega uma análise crítica dos conceitos psicanalíticos freudianos, dialogando com as contribuições de pensadores como Frantz Fanon e Neusa Santos Souza, entre outros intelectuais que articulam raça, psicanálise e colonialidade. Os resultados revelam como o olhar branco, a alienação racial, o processo de tornar-se negro e a neurose cultural estruturam profundamente a experiência psíquica de pessoas negras, evidenciando que a neutralidade analítica tradicional pode, paradoxalmente, perpetuar estruturas racistas. Conclui-se que a psicanálise deve confrontar seus limites coloniais, descentralizar a branquitude de suas teorias e adotar uma escuta situada e implicada, que reconheça a necropolítica como uma dimensão intrínseca do sofrimento psíquico, assumindo, assim, sua responsabilidade ética.</p> Davidson Sepini Gonçalves Lucas Arantes da Silva Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-07 2026-04-07 15 1 e2812 e2812 10.59927/sig.v15i1.210 Da “mulher veneno” à “intelectual assexuada” https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/202 <p>O artigo parte da pesquisa de doutorado que analisa diferentes leituras, no presente, sobre a obra e a memória de Neusa Santos, autora de Tornar-se negro (1983). Abordando dimensões relevantes das relações raciais na sociabilidade contemporânea brasileira, investiga o modo como os atuais discursos sobre a psicanalista informam as discussões sobre raça e gênero na atualidade. A partir da análise de trechos de entrevistas sobre sua trajetória intelectual e de vida, realizadas no contexto da pesquisa (2020-2024), procura identificar elementos que comunicam a particularidade do racismo generificado no Brasil, com ênfase na reprodução do estereótipo sobre a sexualidade da mulher negra. Discute, assim, a representação da mulher negra no imaginário social brasileiro, que conjuga a idealização de uma extraordinária potência sexual e uma sensualidade exacerbada. Nesse sentido, propõe que a legitimação intelectual de Neusa Santos implicou um esforço de deserotização e embranquecimento simbólico de seu corpo, compreendido aqui como uma operação de violência.</p> Luiza Freire Nasciutti Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-07 2026-04-07 15 1 e2813 e2813 10.59927/sig.v15i1.202 A desmentida da branquitude e a implicação da psicanálise na temática do racismo no Brasil https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/164 <p>Dada a realidade do racismo no Brasil e a escassa presença de pessoas negras nas instituições de psicanálise, este trabalho buscou investigar as implicações da psicanálise na temática das relações raciais. A partir da análise de materiais bibliográficos, os resultados foram organizados em três eixos temáticos: “O Brancocentrismo na Psicanálise”, o qual revela que o sujeito branco é utilizado como parâmetro na psicanálise; “A Desmentida da Branquitude na Psicanálise”, que expõe o não reconhecimento da realidade da branquitude e do racismo; e “A Psicanálise como Potência Antirracista”, que sustenta a psicanálise como um dispositivo possibilitador de mudança na dinâmica das relações raciais. Assim, propõe-se uma psicanálise pautada na ética da alteridade e na escuta clínica implicada e antirracista. Também se defende a utilização da psicanálise como um instrumento de desvelamento dos mecanismos inconscientes perversos que mantêm a branquitude operando, de modo a possibilitar o desmonte das estruturas sociais que perpetuam o racismo.</p> Isadora Graeff Bins Ely Jefferson Silva Krug Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2805 e2805 10.59927/sig.v15i1.164 O professor tem cor? https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/199 <p>O artigo analisa as dinâmicas de racialização presentes no ensino superior brasileiro, tomando como foco a posição do professor negro e os mecanismos simbólicos que sustentam sua exclusão e marginalização. A partir de uma leitura psicanalítica e crítica das relações raciais, o estudo discute como a construção histórica da branquitude institui um ideal normativo de comportamento, saber e aparência, que define quem é reconhecido como sujeito de conhecimento. A investigação aborda as projeções inconscientes e os mecanismos de recalcamento que sustentam o racismo estrutural, compreendendo-o como sintoma de um mal-estar civilizatório e de uma lógica de dominação de classes. O texto propõe, por fim, que a transformação desse cenário exige o reconhecimento das violências simbólicas e o deslocamento das estruturas subjetivas que produzem a inferiorização da população negra, abrindo espaço para novas formas de produção de saber e de existência no campo acadêmico.</p> Marcos de Moura Oliveira Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2803 e2803 10.59927/sig.v15i1.199 Precisamos falar sobre a branquitude https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/147 <p>Este artigo tem como objetivo refletir sobre a branquitude em articulação com a psicanálise. Para tal, parte-se de uma revisão da literatura psicanalítica e sociológica ligada à temática, problematizando as particularidades da formação social brasileira e de sua realidade social contemporânea em termos raciais. Entende-se que as discussões sobre as relações étnico-raciais no campo psicanalítico brasileiro são recentes e ainda pouco presentes, especialmente no que tange à branquitude. Concluiu-se que é fundamental que os/as psicanalistas e as instituições psicanalíticas se detenham na análise de sua branquitude, bem como de suas expressões e pactuações, com vistas a combatê-la, o que, invariavelmente, perpassa abrir mão dos privilégios simbólicos e materiais que a constituem.</p> Carolina da Silva Pereira Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2808 e2808 10.59927/sig.v15i1.147 "Você é uma mulher negra?" https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/163 <p>O presente trabalho discute o racismo presente na clínica psicanalítica, a partir da dinâmica transferencial entre uma analista negra e uma analisanda branca. A pesquisa recorre à dimensão histórica colonial brasileira e às diferenças fundantes no psiquismo do sujeito negro e do branco, buscando localizar desigualdades presentes na hierarquia racial e seus efeitos na clínica. Além disso, visa tensionar a branquitude psicanalítica, que mantém discussões escassas sobre racialidade e dimensão social, fruto de seu privilégio firmado no pacto narcísico.</p> Jéssica Laís Silva Antunes Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-03-15 2026-03-15 15 1 e2804 e2804 10.59927/sig.v15i1.163 Entrevista com Taiasmin Ohnmacht https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/227 <p>Nesta edição da <em>SIG Revista de Psicanálise</em>, contamos com a participação de Taiasmin Ohnmacht como nossa entrevistada. Escritora, psicanalista e psicóloga, Taiasmin é autora de uma série de livros que transitam entre a literatura e a produção teórica. Em sua obra, apresenta reflexões potentes sobre as relações étnico-raciais, convidando o leitor a pensar criticamente sobre a forma como a sociedade se organiza a partir de um conjunto de regras que nos atravessam e buscam padronizar e universalizar discursos e culturas. Trata-se de uma gramática única que hierarquiza, exclui e violenta, conforme ela desenvolve em seu livro <em>Também existem os tambores: outras gramáticas entre racialidade e psicanálise</em>. Nesta entrevista, Taiasmin aborda sua trajetória formativa, destacando a ausência da temática da racialidade nesse percurso, o que evidencia a histórica carência de debates sobre o tema e sobre as políticas raciais. A autora também discorre sobre a intervenção no nível do discurso social, articulando-a às noções de racismo estrutural e institucional e demarcando implicações éticas fundamentais para o próprio fazer psicanalítico.</p> Taiasmin Ohnmacht Copyright (c) 2026 SIG Revista de Psicanálise https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-04-07 2026-04-07 15 1 e2811 e2811 10.59927/sig.v15i1.227