Precisamos falar sobre a branquitude

a identidade branca em questão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.147

Palavras-chave:

Branquitude, Identidade branca, Relações étnico-raciais

Resumo

Este artigo tem como objetivo refletir sobre a branquitude em articulação com a psicanálise. Para tal, parte-se de uma revisão da literatura psicanalítica e sociológica ligada à temática, problematizando as particularidades da formação social brasileira e de sua realidade social contemporânea em termos raciais. Entende-se que as discussões sobre as relações étnico-raciais no campo psicanalítico brasileiro são recentes e ainda pouco presentes, especialmente no que tange à branquitude. Concluiu-se que é fundamental que os/as psicanalistas e as instituições psicanalíticas se detenham na análise de sua branquitude, bem como de suas expressões e pactuações, com vistas a combatê-la, o que, invariavelmente, perpassa abrir mão dos privilégios simbólicos e materiais que a constituem.

Biografia do Autor

Carolina da Silva Pereira, CEPdePA

Psicóloga clínica e pesquisadora. Doutoranda em Psicologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Psicanalista em formação pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) (2014). Especialista em Psicologia Educacional. Especialista em Saúde Pública pela Escola de Saúde Pública (ESP/RS). Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na área de relações étnico-raciais. Docente e orientadora na Especialização em Saúde Pública da ESP/RS. Membro dos Grupos de Pesquisa “Egbé: Negritude, Clínica e Políticas do Comum” e do Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Relações de Gênero (NUPSEX) da UFRGS. Membro da Comissão de Relações Étnico-Raciais do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRP/RS). Associada à Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negro/as (ABPN). Possui experiência como professora universitária e como analista de políticas públicas do Governo do Rio Grande do Sul.

Referências

AMBRA, Pedro. Diagnósticas sociais da branquitude. Humanidades & Inovação, v. 10, n. 4, p. 275-290, 2023.

BENTO, Maria Aparecida da Silva. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BENTO, Maria Aparecida da Silva. Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público. 2002. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

BLEICHMAR, Silvia. Estallido del yo, desmantelamiento de la subjetividad. Buenos Aires: Topía Editorial, 2009.

BLEICHMAR, Silvia. La construcción del sujeto ético. In: BLEICHMAR, Silvia. La construcción del sujeto ético. Buenos Aires: Topía Editorial, 2011.

BRAGA, Ana Paula Musatti; ROSA, Miriam Debieux. Articulações entre psicanálise e negritude: desamparo discursivo, constituição subjetiva e traços identificatórios. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 10, n. 24, p. 89-107, 2018.

BUTLER, Judith. Vida precária: os poderes do luto e da violência. São Paulo: Autêntica Business, 2019.

CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. Trad. de Claudio Willer. São Paulo: Veneta, 2020.

DU BOIS, William Edward Burghardt. Black reconstruction in the United States. Nova York: Russell & Russell, 1935.

DUPAS, Elaine; ROMERO, Thiago Giovani. Violência no Brasil: as cores que morrem. Libertas: Revista de Pesquisa em Direito, v. 3, n. 2, p. 1-9, 2017.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu, 2020.

FANON, Frantz. Os condenados da terra. São Paulo: Schwarcz/Companhia das Letras, 2020.

FAUSTINO, Deivson Mendes. Frantz Fanon, a branquitude e a racialização: aportes introdutórios a uma agenda de pesquisas. In: MÜLLER, Tânia M. P.; CARDOSO, Lourenço. Branquitude: estudos sobre a identidade branca no Brasil. Curitiba: Appris, 2017. e-book.

FAUSTINO, Deivison Mendes; ROSA, Miriam Debieux. O mal-estar colonial: racismo, indivíduo e subjetivação na sociabilidade contemporânea. Psicologia & Sociedade, v. 35, e275160, 2023.

FRANKENBERG, R. A miragem de uma branquitude não marcada. In: WARE, Vron (Org.). Branquidade: identidade branca e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. p. 307-338.

FREUD, Sigmund. O estranho. Rio de Janeiro: Imago, 2006. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 17)

FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão. In: FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão, O mal-estar na civilização e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1976a. p. 15-63. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XXI)

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. In: FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão, O mal-estar na civilização e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1976b. p. 75-174. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XXI)

FREUD, Sigmund. Totem e tabu. In: FREUD, Sigmund. Totem e tabu, Contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos. Trad. e notas de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

FUKS, Mario Pablo. Trauma e dessubjetivação. Santos: Percurso, 2014.

GUERRA, Andréa Máris Campos. Branquitude e psicanálise: segregação racial e a matriz colonial do saber. Revista Espaço Acadêmico, v. 21, n. 230, p. 55-67, 2021.

HASENBALG, Carlos. Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Trad. de Patrick Burglin. Belo Horizonte: UFMG, 1979.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

KON, Noemi M. À guisa de apresentação: por uma psicanálise brasileira. In: ABUD, C.; KON, N.; SILVA, M. L. (Orgs.). O racismo e o negro no Brasil: questões para a psicanálise. São Paulo: Perspectiva, 2017. p. 15-29.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. Lisboa: Antígona, 2017.

OHNMACHT, Taiasmin. Ações afirmativas: um novo ato de fundação? Racialidades: Psicanálise e Instituições, v. 11, n. 9, nov. 2024. Disponível em: https://appoa.org.br/correio/edicao/347/acoes_afirmativas_um_novo_ato_de_fundacao/1538. Acesso em: 19 jan. 2026.

PAIM FILHO, Ignácio A. Racismo: por uma psicanálise implicada. Porto Alegre: Artes & Ecos, 2021.

PINHEIRO, Clara Virginia de Q.; LIMA, Celina Peixoto; OLIVEIRA, Débora Passos de. Sobre as relações entre o sexual e o mal-estar na civilização: uma discussão acerca das perspectivas freudianas. Psicologia Clínica, v. 18, p. 37-48, 2006.

PRECIADO, Paul B. Eu sou o monstro que vos fala. Relatório para uma academia de psicanalistas. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.

RAMOS, Guerreiro. Patologia social do branco brasileiro. In: RAMOS, Guerreiro. Introdução crítica à sociologia brasileira. Rio de Janeiro: UFRJ, 1995. p. 215-240.

RIVERA, Tania. Por uma psicanálise a favor da identidade. Cult, São Paulo, 24 set. 2020. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/por-uma-psicanalise-favor-da-identidade/. Acesso em: 20 jan. 2024.

ROEDIGER, David R. Sobre autobiografia e teoria: uma introdução. In: WARE, Vron (Org.). Branquidade: identidade branca e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. p. 41-62.

ROSA, Miriam Debieux. A clínica psicanalítica em face da dimensão sociopolítica do sofrimento. São Paulo: Escuta, 2016.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Branquitude e poder: revisitando o “medo branco” no século XXI. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 6, n. 13, p. 134-147, 2014.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

Downloads

Publicado

15-03-2026

Edição

Seção

Em pauta