A desmentida da branquitude e a implicação da psicanálise na temática do racismo no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.164Palavras-chave:
Branquitude, Psicanálise, Relações raciais, RacismoResumo
Dada a realidade do racismo no Brasil e a escassa presença de pessoas negras nas instituições de psicanálise, este trabalho buscou investigar as implicações da psicanálise na temática das relações raciais. A partir da análise de materiais bibliográficos, os resultados foram organizados em três eixos temáticos: “O Brancocentrismo na Psicanálise”, o qual revela que o sujeito branco é utilizado como parâmetro na psicanálise; “A Desmentida da Branquitude na Psicanálise”, que expõe o não reconhecimento da realidade da branquitude e do racismo; e “A Psicanálise como Potência Antirracista”, que sustenta a psicanálise como um dispositivo possibilitador de mudança na dinâmica das relações raciais. Assim, propõe-se uma psicanálise pautada na ética da alteridade e na escuta clínica implicada e antirracista. Também se defende a utilização da psicanálise como um instrumento de desvelamento dos mecanismos inconscientes perversos que mantêm a branquitude operando, de modo a possibilitar o desmonte das estruturas sociais que perpetuam o racismo.
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