A voz da agonia
ecos do (in)dizível na clínica psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i2.176Palavras-chave:
Psicanálise, Agonia, Clínica, ContemporaneidadeResumo
Na clínica psicanalítica, a escuta sensível ao mal-estar que escapa ao simbólico torna necessário acolher o não dito. Neste artigo, procura-se explorar a denominação frequente de agonia, por parte de analisandos, a fim de referir o que ameaça e dificulta a vida cotidiana. Para explorar o tema da agonia, toma-se, inicialmente, o texto freudiano de 1930, O mal-estar na civilização, no qual o autor propõe que a produção de sofrimento se dá por três direções: do próprio corpo, do mundo externo e das relações com outros seres humanos. A partir da ênfase nessa terceira fonte, entende-se cultura como algo que se constrói na relação com o outro, que influi de forma significativa na constituição da subjetividade. É inevitável, portanto, considerar a relação que inaugura todas as outras. A agonia, como tema explorado por diferentes autores ao longo do artigo, revela-se como um fio afetivo que denuncia uma falha básica, precoce, gerada na relação com o outro, um estado ligado a um desamparo extremo. A agonia, nomeada como um sentimento além da angústia, também pode expressar um colapso psíquico, uma vivência primitiva, algo que escapa à simbolização, uma experiência-limite do sujeito, uma ansiedade de aniquilamento. É a voz da agonia que assombra a contemporaneidade: ocorrências pretéritas que retornam, povoando a vida psíquica de intensidades para as quais ainda não se encontraram sentidos e que, por seguirem assombrando, geram dores aterrorizantes. Nessa direção, o artigo explora a proposição de ser no espaço analítico que se dá a possibilidade de que esse estado retorne como uma memória corporal e psíquica não simbolizada sobre algo vivido em tais condições. O trabalho sensível do analista na transferência dá condições para que os sentidos construídos abram, para o analisando, perspectivas de existência distintas do aprisionamento da agonia.
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