Atravessamentos contemporâneos sobre os ideais do corpo e seus desdobramentos em padecimentos alimentares
perspectiva psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i2.206Palavras-chave:
Transtornos alimentares, Psicanálise, Narcisismo, Adolescência, CorpoResumo
Os transtornos alimentares têm se intensificado na contemporaneidade, especialmente entre adolescentes e jovens, inseridos em um contexto marcado pela pressão estética, pelo culto ao corpo e pela aceleração dos laços sociais. Tal cenário suscita o seguinte problema de pesquisa: de que forma os ideais culturais contemporâneos atravessam a constituição subjetiva e contribuem para o desenvolvimento de padecimentos alimentares? Este trabalho tem como objetivo refletir sobre os efeitos desses ideais na formação de diferentes transtornos alimentares sob a ótica psicanalítica, contextualizando aspectos contemporâneos, articulando contribuições teóricas da psicanálise e investigando o lugar do objeto comida na constituição do sujeito. O estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão narrativa da literatura, com levantamento bibliográfico realizado entre março e novembro de 2025 em bases como PubMed, SciELO e Google Acadêmico, além de obras psicanalíticas clássicas e contemporâneas, priorizando produções publicadas nos últimos 20 anos. Os resultados da análise teórica evidenciam que os transtornos alimentares são fenômenos multifatoriais que não se limitam a questões nutricionais ou biomédicas, constituindo-se como modos singulares de expressão do sofrimento psíquico, articulados a experiências precoces e às exigências estéticas e culturais da atualidade. Observa-se que a função do alimento ultrapassa o campo biológico, assumindo papel simbólico e relacional na organização do psiquismo, sendo o corpo frequentemente utilizado como principal via de inscrição do mal-estar. Conclui-se que a clínica psicanalítica se mostra uma via potente para a escuta desses sujeitos, permitindo a simbolização do sofrimento condensado no corpo e favorecendo a construção de novos modos de subjetivação. Os achados reforçam a necessidade de práticas clínicas sensíveis às interseções entre sujeito e cultura, contribuindo para o aprimoramento das ações terapêuticas frente aos desafios impostos pelos sintomas alimentares na contemporaneidade.
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