Pele negra, clínica branca?
Psicanálise, racismo e seus impasses na escuta do sujeito racializado
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.210Palavras-chave:
Psicanálise racializada, Colonialidade, Racismo estrutural, Inconsciente racializadoResumo
A psicanálise clássica, desenvolvida a partir de uma perspectiva eurocêntrica e branco-burguesa, apresenta um problema fundamental ao ignorar ou negar a raça como dimensão constitutiva do inconsciente, invisibilizando o sofrimento psíquico gerado pelo racismo estrutural e pela colonialidade. Este artigo tem como objetivo demonstrar a necessidade urgente de uma psicanálise racializada e situada, em oposição à prática desracializada, que reconheça a raça, a história e o contexto social como elementos fundamentais na formação do inconsciente e da subjetividade, especialmente no Brasil, onde o mito da democracia racial persiste. Para tanto, o estudo emprega uma análise crítica dos conceitos psicanalíticos freudianos, dialogando com as contribuições de pensadores como Frantz Fanon e Neusa Santos Souza, entre outros intelectuais que articulam raça, psicanálise e colonialidade. Os resultados revelam como o olhar branco, a alienação racial, o processo de tornar-se negro e a neurose cultural estruturam profundamente a experiência psíquica de pessoas negras, evidenciando que a neutralidade analítica tradicional pode, paradoxalmente, perpetuar estruturas racistas. Conclui-se que a psicanálise deve confrontar seus limites coloniais, descentralizar a branquitude de suas teorias e adotar uma escuta situada e implicada, que reconheça a necropolítica como uma dimensão intrínseca do sofrimento psíquico, assumindo, assim, sua responsabilidade ética.
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