Conversando com o objeto transformacional de Christopher Bollas
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i2.224Palavras-chave:
Objeto transformacional, Christopher Bollas, Impensado conhecido, Idioma pessoal, Técnica psicanalíticaResumo
O presente ensaio propõe-se a dialogar com o conceito de objeto transformacional na obra de Christopher Bollas. O conceito, gestado entre 1973 e 1977 e publicado em A sombra do objeto, de 1987, designa a experiência pela qual o bebê é transformado na relação com a mãe antes de constituí-la como objeto total. Essa experiência não se inscreve como traço mnêmico de conteúdo, mas como memória de processo — de caráter estético — que orienta, de modo persistente, a busca por experiências transformacionais ao longo da vida. O ensaio examina articulações do conceito com outras formulações de Bollas, como o impensado conhecido, o destiny drive e o idioma pessoal, situando-o em relação à metapsicologia freudiana e ao pensamento de Winnicott. Argumenta-se que o objeto transformacional não se opõe às formulações freudianas centradas no conteúdo representacional, mas as complementa ao deslocar o foco para os processos inconscientes procedurais e para a dimensão estética da experiência subjetiva. São também examinadas implicações clínicas do conceito, com ênfase no lugar do analista como objeto transformacional na cena analítica, na dialética da diferença como princípio técnico e na centralidade do idioma pessoal do analista no curso do processo. O texto inclui ilustrações clínicas do autor e propõe articulações teóricas próprias, em consonância com o estilo ensaístico que orienta sua escrita.
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