As bases do inconsciente colonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v14i1.125

Palavras-chave:

Inconsciente colonial, Racismo, Patriarcado, Psicanálise, Gênero

Resumo

Este artigo examina o inconsciente colonial como estruturante das relações de poder e subjetividades na modernidade ocidental e colonial. Com foco nas dinâmicas de gênero e raça, a pesquisa investiga como o racismo antinegro e a exploração de corpos colonizados se imbricam com as hierarquias patriarcais, perpetuando desigualdades. A partir da psicanálise, principalmente das teorias de Freud e Lacan, e das contribuições de autores como Glória Anzaldúa e Suely Rolnik, o estudo analisa a reprodução de mitos culturais coloniais que reforçam o assujeitamento feminino e racial. A metodologia inclui revisão bibliográfica de textos psicanalíticos e históricos, além de uma análise crítica das interseções entre sexualidade, poder e colonialidade. Os resultados indicam que o inconsciente colonial é central na manutenção de sistemas de dominação, especialmente ao estruturar subjetividades através do controle dos corpos e afetos colonizados. A conclusão reforça a importância de uma psicanálise sensível às questões de raça e gênero, capaz de enfrentar as consequências psíquicas do colonialismo.

Biografia do Autor

Ronald Lopes, UFRRJ

Doutorando em História (UERJ). Doutorando em Estudos Clássicos (UC-Portugal). Mestre e licenciado em História (UNIRIO). Psicanalista e pesquisador no Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidades da UFRRJ, no Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde/UNIR e no Grupo ÁFRICAS: Sociedade, Política e Cultura (UERJUFRJ). Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura. Pós-graduado em Psicanálise e Saúde pelo SEPAI-RJ. Pós-graduado em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar (UNINTER). Pós-graduado em Ciências da Religião (AVM/UCAM). Bacharel em Teologia (FACETEN).

Jairo Carioca, UFRRJ

Doutorando e Mestre em Educação Contemporânea e Demandas Populares (PPGEduc/UFRRJ). Psicanalista e Pesquisador no Laboratório de Educação, Gênero e Sexualidades da UFRRJ e no Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde/UNIR. Coordenador do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura; Membro do Coletivo Psicanalistas Unidos pela Democracia – PUD e Membro da Comissão Permanente da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID) da UFRRJ. Poeta e Bolsista CAPES.

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Publicado

16-06-2025

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Artigos