O professor tem cor?

Racismos e os mitos do negro no ensino superior

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.199

Palavras-chave:

Subjetividade, Branquitude, Reconhecimento, Dominação simbólica, Epistemologia crítica

Resumo

O artigo analisa as dinâmicas de racialização presentes no ensino superior brasileiro, tomando como foco a posição do professor negro e os mecanismos simbólicos que sustentam sua exclusão e marginalização. A partir de uma leitura psicanalítica e crítica das relações raciais, o estudo discute como a construção histórica da branquitude institui um ideal normativo de comportamento, saber e aparência, que define quem é reconhecido como sujeito de conhecimento. A investigação aborda as projeções inconscientes e os mecanismos de recalcamento que sustentam o racismo estrutural, compreendendo-o como sintoma de um mal-estar civilizatório e de uma lógica de dominação de classes. O texto propõe, por fim, que a transformação desse cenário exige o reconhecimento das violências simbólicas e o deslocamento das estruturas subjetivas que produzem a inferiorização da população negra, abrindo espaço para novas formas de produção de saber e de existência no campo acadêmico.

Biografia do Autor

Marcos de Moura Oliveira, Universidade Federal Fluminense

Doutorando em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Psicossomática pela Universidade Ibirapuera (UNIB, 2022) e psicólogo pela Universidade Paulista (UNIP, 2017). Professor no curso de pós-graduação lato sensu em Psicanálise: Teoria e Técnica da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) e membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi (GBPSF).

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Publicado

15-03-2026

Edição

Seção

Em pauta