Da “mulher veneno” à “intelectual assexuada”

narrativas generificadas e racializadas sobre Neusa Santos Souza, autora de Tornar-se negro (1983)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.202

Palavras-chave:

Raça, Racismo, Branquitude, Mulher negra, Psicanálise

Resumo

O artigo parte da pesquisa de doutorado que analisa diferentes leituras, no presente, sobre a obra e a memória de Neusa Santos, autora de Tornar-se negro (1983). Abordando dimensões relevantes das relações raciais na sociabilidade contemporânea brasileira, investiga o modo como os atuais discursos sobre a psicanalista informam as discussões sobre raça e gênero na atualidade. A partir da análise de trechos de entrevistas sobre sua trajetória intelectual e de vida, realizadas no contexto da pesquisa (2020-2024), procura identificar elementos que comunicam a particularidade do racismo generificado no Brasil, com ênfase na reprodução do estereótipo sobre a sexualidade da mulher negra. Discute, assim, a representação da mulher negra no imaginário social brasileiro, que conjuga a idealização de uma extraordinária potência sexual e uma sensualidade exacerbada. Nesse sentido, propõe que a legitimação intelectual de Neusa Santos implicou um esforço de deserotização e embranquecimento simbólico de seu corpo, compreendido aqui como uma operação de violência.

Biografia do Autor

Luiza Freire Nasciutti, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, doutora em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPCIS/UERJ) e mestre em Sociologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ).

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Publicado

07-04-2026

Edição

Seção

Em pauta