A mulher negra como duplo outro
implicações psíquicas e clínicas da racialização
DOI:
https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.205Palavras-chave:
Psicanálise, Mulher negra, Racismo, ClínicaResumo
Este artigo discute como a subjetividade da mulher negra é constituída por atravessamentos raciais e de gênero desde a infância, problematizando a insuficiência de uma psicanálise baseada em um sujeito universal branco. A partir de autoras como Gonzalez, Kilomba, hooks e Ribeiro, realiza-se uma análise teórico-bibliográfica que evidencia como discursos coloniais moldam a identificação, o desejo e as possibilidades de reconhecimento. Os resultados indicam que o racismo opera como estrutura repetitiva que afeta a formação do eu, produzindo silenciamentos, idealizações e dificuldades de acesso ao cuidado. Conclui-se que a clínica psicanalítica precisa reconhecer a racialidade como operador estrutural para sustentar uma escuta ética que favoreça a elaboração, o reposicionamento subjetivo e a construção de novas narrativas para mulheres negras.
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