Psicanalistas no divã

quem tem medo do marcador social racial?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v15i1.215

Palavras-chave:

Psicanálise, Branquitude, Clínica

Resumo

Este ensaio se propõe a refletir sobre a posição de neutralidade muitas vezes assumida por alguns psicanalistas diante de marcadores sociais de diferença e assuntos entendidos como “não psicanalíticos”. Considerando o apagamento desses temas em discussões clínicas e no posicionamento de alguns praticantes do ofício psicanalítico, a discussão será amparada em autores(as) como Pedro Ambra, Thamy Ayouch, Thaís Klein, Eduardo Leal Cunha, Mariana Pombo, entre outros, além de Nêgo Bispo, Frantz Fanon e Luiz Rufino, para tensionar o lugar do psicanalista diante dos efeitos que discursos hegemônicos podem causar em analisandos/as/es. Assumindo o caráter de uma psicanálise engajada, passível de se repensar e, portanto, transformadora, o presente ensaio irá propor possibilidades para que a escuta psicanalítica não seja indiferente ao mundo em que vivemos; ao contrário, colocando-se como uma ferramenta emancipatória e revolucionária.

Biografia do Autor

Ísis Gonzalez Fossati, Sigmund Freud Associação Psicanalítica

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), psicanalista, membro efetivo da Sigmund Freud Associação Psicanalítica, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Infâncias (NEPIs).

Andrea Gabriela Ferrari, UFRGS

Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise: Clínica e Cultura e do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Psicóloga, psicanalista e doutora em Psicologia do Desenvolvimento, cocoordenadora do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Infâncias (NEPIs), bolsista de produtividade CNPq.

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Publicado

04-04-2026

Edição

Seção

Ensaios