Perversão social e paixão pela instrumentalidade

atualidade da tese de Calligaris

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59927/sig.v15i2.223

Palavras-chave:

Perversão social, Psicanálise, Psicologia das massas

Resumo

Esta resenha examina criticamente a obra O grupo e o mal: estudo sobre a perversão social, de Contardo Calligaris, publicada originalmente como tese de doutorado e recentemente traduzida para o português, destacando a relevância teórica do conceito de perversão social para a compreensão dos vínculos entre sujeito, grupo e violência legitimada. Em diálogo com Sigmund Freud e Hannah Arendt, Calligaris sustenta que o mal não decorre de uma essência monstruosa, mas de uma estrutura subjetiva marcada pela “paixão pela instrumentalidade”, na qual o sujeito encontra satisfação psíquica ao se tornar instrumento de um ideal coletivo, frequentemente encarnado pelo Estado ou por um líder, ao mesmo tempo em que reduz o outro à condição de objeto. A resenha destaca a distinção entre perversão sexual e perversão social, enfatizando que esta última não se restringe a um desvio pulsional, mas corresponde a uma organização estrutural que implica a objetificação do outro e a submissão do sujeito a uma lógica instrumental. Nesse contexto, fenômenos de massa favorecem a suspensão parcial do recalque e reforçam processos identificatórios que fragilizam a responsabilidade subjetiva, possibilitando a legitimação de práticas violentas sob a justificativa de um suposto bem comum. Ao articular clínica, teoria psicanalítica e análise sociopolítica, Calligaris reafirma a tese freudiana de que a psicologia individual é, desde o início, também psicologia social. Conclui-se que o conceito de perversão social constitui uma ferramenta conceitual fundamental para a compreensão dos fenômenos contemporâneos de adesão subjetiva a ideais autoritários, evidenciando a atualidade e a potência crítica da psicanálise na análise do laço social.

Biografia do Autor

Gabriel Crespo Soares Elias, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutorando em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Psicólogo na rede socioassistencial de Casimiro de Abreu/RJ. Professor auxiliar substituto na Universidade Federal Fluminense.

Amanda Pinho Nunes da Silva Pereira, Unigranrio

Psicanalista membro do Fórum do Campo Lacaniano de Nova Iguaçú. Mestre em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora na Universidade Unigranrio.

Referências

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Publicado

27-07-2026

Edição

Seção

Resenhas